sábado, 13 de dezembro de 2008

O sucesso independe das cópias falsas

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A luta da indústria cinematográfica contra a pirataria digital é feroz e poucos são os que nunca passaram pela vinheta enfadonha colocada antes dos trailers no cinema. Elas alertam que tal prática é crime, principalmente cometida, a julgar pelas imagens, por meninas adolescentes que usam moletons com capuz.

A teoria óbvia é que quem baixa um filme não vai querer gastar dinheiro para ir ao cinema ver o mesmo título novamente. Como bem lembrou o blog Techdirt (www.techdirt.com), o único caso citado pela MPAA (Motion Picture Association of America), ponta-de-lança da indústria no combate à pirataria, é Hulk. O filme vazou na internet antes do lançamento oficial e foi impiedosamente criticado por jornalistas e fãs, tachado de péssimo e pouco digno do personagem dos quadrinhos.

Segundo a mesma lógica, isso minou qualquer chance de o filme ganhar algum dinheiro nos cinemas. O lançamento foi um fracasso. É curioso que os executivos da indústria não tenham feito nenhuma ligação entre a qualidade do produto e a arrecadação.

Agora, Batman - O Cavaleiro das Trevas subverte essa lógica. Primeiro, porque chegou perto de quebrar recordes históricos de bilheteria, tendo ultrapassado os 960 milhões de dólares de arrecadação mundial. Pela ótica da indústria, isso só foi possível pelo trabalho feito para impedir que o filme chegasse às mãos dos piratas. Em julho, dias após a estréia do filme, um homem foi preso enquanto tentava usar sua filmadora dentro de um cinema. Ainda assim, outra versão filmada e de qualidade péssima chegou à internet no mesmo dia e isso não impediu a quebra de recordes conseguida nos cinemas.

A principal falha do discurso da indústria é que o excelente filme fez sucesso, apesar de ter sido o mais pirateado em 2008, segundo dados do site TorrentFreak (www.torrentfreak.com).

(...)

A pirataria é crime, mas O Cavaleiro das Trevas eh um exemplo importante de que a prática não é a principal responsável pela eventual queda nas arrecadações dos cinemas ou por vendas menores de DVDs nas lojas. Um filme baixado não se traduz em uma pessoa ou uma família a menos sentada em um cinema, ou um DVD não comprado. O que importa é a qualidade do produto. Se os estúdios se preocuparem um pouco com o que é mostrado nas telas, quem sabe fiquem mais felizes com o balanço no final do ano.

Fonte: Felipe Marra Mendonça, Carta Capital, Edição Nº 525, datada de 10/12/2008.

Muito boa essa matéria do Felipe Mendonça, na Carta Capital. Revela o quanto é hipócrita o discurso da indústria do cinema contra a pirataria.

3 comentários:

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